segunda-feira 11 de maio de 2020

Entenda seu filho nessa quarentena

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Você chama o filho para tomar banho e ele faz um escândalo. Manda ficar sentado para almoçar e ele sequer abre a boca. Grita, sai correndo, esperneia e não faz o que você manda nem por um decreto. Alguém se identificando?

Segurar a onda na hora que o filho faz aquela birra não é pra todo mundo. Uma das coisas mais difíceis é lidar com a malcriação dos filhos. E isso, “não sei porquê” parece ter ficado ainda mais difícil nessa quarentena, não foi? Pois saiba que não é mera coincidência. Se o isolamento social está mexendo com você, por estar dia e noite dentro de casa, confinada, imagina para seus filhos, que também não podem gritar no parque, brincar com os amigos, soltar essa energia? Sim, eles também estão no limite e as reações podem ser as mais diversas.

De acordo com a psicóloga clínica e educacional Josiane Golin, do Colégio Madre de Deus, zona sul do Recife, a irritação e a ansiedade são bem esperadas nas crianças nessa fase de “quarentena”. E aí entram o choro, os gritos, a inquietação e um monte de coisas que fazem a gente querer ficar trancada no banheiro e só sair quando tudo isso acabar. Mas entenda seu filho, mãe. Toda essa mudança de rotina e a permanência prolongada dentro de casa também mexem com ele.

Também por conta do isolamento social, as crianças podem ficar mais agitadas e criativas, passando a explorar mais o ambiente, procurando espaços antes pouco habitados e mexendo em coisas que normalmente não tinham acesso. “Além dessas, outras características podem surgir, como a criatividade e a ludicidade, quando começam a fazer uso diferenciado de seus brinquedos ou outros objetos no intuito de quebrar a monotonia, ao mesmo tempo em que passam a brincar mais do que habitualmente, pois percebem um repertório maior de opções lúdicas, até mesmo, pela participação e estímulo dos familiares”, explica Josiane, que é doutora em psicologia cognitiva.

Uma maior participação da criança nos afazeres domésticos também pode ser observada. Mas talvez algumas das reações mais preocupantes sejam a carência, a agitação e a ansiedade. “Elas podem solicitar mais a presença da mãe, ou pai, tornando-se mais ‘colados’ ou manhosos, uma vez que a presença deles em casa é mais frequente, e mais disponível”, conta a psicóloga. Enfim, as crianças podem apresentar diversas reações nesse período, até mesmo falta ou aumento de apetite, o que também preocupa.

Resumindo: tenha paciência, mamãe! Compreenda seu filho que também está entediado, também está chateado, também está cansado de ficar em casa e, além de tudo, é criança e não pode gritar no parque ou brincar com os amigos. Se esses dias não estão sendo fáceis para você, imagine para eles.

 

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