sexta-feira 04 de Maio de 2018

Os sinais de ciúmes

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A chegada do segundo filho pode parecer mais fácil para a mãe, que já sabe como lidar com um bebê, mas tem algo a mais aí na jogada que precisa de atenção: o primeiro filho. E as reações de ciúmes podem ser tão silenciosas que você nem percebe. Então, presta atenção e começa a observar mais. E lembre-se: por mais madura que possa estar sendo a reação do seu primogênito, ele precisa de você. Muito.

Nem sempre os sinais de ciúmes são claros. Ontem eu entendi o que nem estava percebendo: meu filhote estava sentindo a minha ausência. Eu já achava que fazia o suficiente, porque, mesmo com sono, deixo para dormir somente quando o mais velho dorme e, pela manhã, levanto cedinho para tomar café da manhã com ele, mesmo com o bebê ainda dormindo e mesmo tendo passado a madrugada em claro.

Mas ontem, depois de ter colocado o meu bebê – que tem 38 dias de nascido – pra dormir, deitei no sofá com o mais velho – de quatro anos – e ficamos assistindo a um desenho animado, como faço sempre. Ele se virou, me deu um abraço e perguntou: “Mamãe, você pode dormir comigo hoje? Por que você só dorme com Felipe todo dia?”. Fiquei sem reação por dois segundos.

Eduardinho sentiu muito ciúmes quando engravidei. Talvez pelo fato da minha irmã ter acabado de ter o segundo bebê, ele acompanhou a rotina e viu que o primo perdeu um pouco da atenção da mãe. A dedicação ficou dividida e então ele entendeu o que aconteceria com ele: a mãe não seria mais exclusiva dali por diante. Começou a agir como um menino de dois anos de idade, fazendo birra. Redobrei a atenção com ele, mas a fase é inevitável.

Com o tempo foi melhorando e, quando Felipe nasceu, ele passou a ser o irmão mais carinhoso do mundo. Amadureceu muito e passou a me ajudar em tudo – o fato de eu não tê-lo excluído do processo, ao contrário, fico sempre chamando para me ajudar e participar desse momento junto com a gente – contribuiu muito. E eu já achava que estava tudo bem entendido em sua cabecinha…

Mesmo assim sempre separo um tempo exclusivo para ele. Uma vez uma psicóloga me disse: “Quando nasce o segundo filho, a atenção maior precisa ser, por incrível que pareça, para o primeiro”. Então, tenho me dedicado muito ao mais velho, deixando inclusive de descansar muitas vezes, para brincar com ele.

Mas ontem à noite, mesmo com toda a maturidade dele, percebi que ele é só um menino de quatro anos de idade. E que sente falta da mãe. Quando Felipe nasceu, por praticidade, passei a dormir no quarto dele, já que iria amamentar a cada duas horas. Desde então, durmo lá todos os dias. Ao me questionar porque eu só durmo com Felipe, na hora expliquei que seu irmão é muito novinho e mama o tempo todo. Mas, entendi o sentimento do meu filhote e, logo depois, falei: “A partir de hoje vou voltar a dormir na minha cama, viu? E quando você for lá, eu durmo abraçadinha com você”. Ele sorriu e me abraçou.

De fato, não havia mais motivo de ficar no quarto do bebê. Como meu filho mais velho costuma ir para nossa cama de madrugada – e se mexe muito – tive medo de me machucar, já que estava operada. Mas já era hora de voltar mesmo.

Hoje de manhã, quando ele acordou na minha cama e me viu lá, ficou satisfeito. E disse: “Você pode dormir alguns dias com Felipe também, mamãe”. Morri. É muita maturidade para quatro anos de idade. Mas ele estava certo. E eu, nem de longe, estava percebendo que só o fato de eu estar dormindo com o bebê poderia estar gerando esse sentimento nele. Vou prestar mais atenção.

E fica a dica para todas as mamães de mais de um filho. Prestar atenção aos sinais, por mais bobos que eles possam parecer. Nossos filhos sentem nossa falta mais do que pensamos. E nem sempre tudo o que estamos fazendo é o suficiente.

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