segunda-feira 27 de Março de 2017

Tem que ter limite!

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Um dos assuntos mais comuns na educação dos filhos é sobre “colocar limites”. Disso todo mundo sabe. A diferença está em quem realmente o faz e quem pensa que faz. Tem também a diferença entre quem dá limite demais e quem é mais permissivo do que proibitivo. O assunto é amplo e daria um livro só pra falar nisso. Mas umas regrinhas básicas sobre o que devemos fazer para evitar as “birras” de nossos filhos ajuda. E muito!

No dicionário, a palavra limite quer dizer “aquilo que determina os contornos de um domínio abstrato”. Oi? (…) Enfim, se já é vaga a própria definição, imagina colocar em prática! Uma coisa é certa e é regra sim para todas as crianças: elas estão sempre nos testando. Sempre. Vão sentindo até onde podem ir. Uma psicóloga me explicou que, enquanto recém-nascidos, os bebês ainda não têm isso como malícia, mas o fazem de maneira natural. Quem nunca teve que ficar de pé com o bebê no colo porque “ah, se eu sentar, ele chora!”. Será que é mesmo tão incômodo para o bebê ficar no seu colo enquanto você está sentada no sofá? Nããããão. Ele só achou melhor ficar em pé e te convenceu com um choro que não é nem de dor, nem de fome. E você? Você cedeu. Pronto, já caiu. E, digo logo, se continuar cedendo, ele faz tudo o que quer. E isso não é bom.

Pode parecer frio falar assim dessa maneira. E logo eu, apaixonaaaaaada por criança e pelo meu filho. Mas quando comecei a entender que desde novinhos nossos filhos estão sempre nos testando, aprendi a ser mais firme. E isso tem a ver com limite, sim. É o “dizer não”. E sustentar esse “não”.

De acordo com psicólogos, falar com firmeza e dizer “não” para o filho não é traumático. Faz bem, aliás. A criança só sabe até onde pode ir quando existem limites claros e bem estabelecidos. São os limites que a ensinam a ajustar-se às regras, ajudando-a a se sentir mais segura para explorar, o que é fundamental no desenvolvimento infantil. Isso porque o limite e a autonomia andam juntinhos.

O problema é quando os pais querem dar limites demais. Sabe aquilo de ficar dizendo o nome da criança o tempo todo? “Gabriel, saia daí!”, “Gabriel, não mexa nisso!”, “Gabriel, eu já falei que aí não pode”, “Gabriel, não!!”, “Gabrieeeeeeeel!”. Você tem certeza de que ele não podia mesmo fazer nada daquilo que proibiu? Subir na grade não pode por quê? É legal subir na grade. Toda criança gosta e isso, de quebra, pode ajudar a lidar com equilíbrio e cuidados com altura. É lógico que você não vai deixar fazer sozinho, se for muito pequeno. Mas ajude seu filho, fique por perto. Por que proibir assim de cara?

A gente está falando de liberdade. E isso é super importante para toda criança. Mas é lógico que toda liberdade esbarra em algum limite. Lembro quando meu pai falou sobre isso comigo (adoro as colocações do meu pai!). Sempre escuto o que ele tem a falar – apesar de ele falar cheio de dedo, com medo de ser invasivo. Uma vez ele me disse “deixe seu filho ser criança”. Sabe quando você briga porque seu pequeno está querendo correr em pleno shopping center? Com todo o cuidado sobre o lugar estar muito cheio ou tranquilo e também conhecendo seu filho – se ele é do tipo obediente ou se pode correr até sumir – por que não deixar correr? Por que exigir de uma criança que se comporte como adulto em todos os lugares? Enfim, nem tanto, não tão pouco. Vale saber que normalmente os pais mais autoritários acabam tendo que enfrentar a revolta dos filhos, enquanto os mais permissivos precisam lidar com sintomas sérios de ansiedade. Isso porque, sem limites, a criança se sente perdida.

Então, pense mais antes de dizer não. Pense bem, porque seu filho é criança e tem que ter uma certa liberdade. Mas quando tem que dizer não, é não mesmo. Paciência. Limite tem que ter. E isso não é ruim para a criança, pelo contrário. Lembre-se que seu filho vai crescer numa sociedade na qual existem regras. E quando estamos falando de limites, anote algumas dicas importantes: explique sempre o motivo de existirem regras, mesmo que seu filho ainda seja novinho e não entenda bem; nunca minta, ainda que seja uma mentirinha boba, é preciso que seja estabelecido um elo de confiança entre vocês; e, antes de qualquer coisa: respeite a criança como um indivíduo e ensine que os seus erros devem ser reparados. Você estará ajudando seu filho num bem muito maior: o seu bom desenvolvimento. E pra isso… ah, pra isso não tem limite não.

1 comentário

  • Barbara Reis

    Tema muito importante! Saber dizer não é fundamental! As crianças precisam aprender a lidar com as frustrações, dessa forma se tornaram pessoas melhores!!!

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