segunda-feira 06 de março de 2017

Lidando com as frustrações

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Na semana passada, uma amiga me disse que estava num dilema: “Hoje era dia de levar brinquedo para a escola e eu esqueci. Na porta da escola, minha filha lembrou e chorou querendo o brinquedo. Eu disse que tinha esquecido e ela pediu para voltar em casa para buscar. Achei demais. Não iria fazer isso. Eu disse que tentaria dar um jeito e a deixei na escola”. Com toda essa explicação, minha amiga completou, pedindo minha opinião: “O que tu acha? Saio para comprar um brinquedinho e levo lá pra ela?”. E aí?

A primeira coisa que eu disse é que eu também, como mãe, ficaria com o coração apertado e acho até que pensaria em sair correndo para comprar algum boneco. Mas, na boa? “Compra não”, eu disse. “Sabe, acho que sua filha precisa lidar com as frustrações. Infelizmente vocês esqueceram o brinquedo e isso faz parte. Já pensou se você consegue resolver absolutamente todos os pequenos problemas de sua filha? Você acha mesmo que isso é positivo?”.

Eu já tinha conversado, há algum tempo, com uma psicóloga sobre algo parecido. Lembro quando ela falou que aprender a superar as decepções é importante para as crianças, é um exercício que faz com que as tornem adultos sem medos e com mais maturidade. Tenho pensado nisso porque meu filho adora uma competição. “Mãe, vamos ver quem chama o elevador primeiro?”, “Vamos ver quem chega no banheiro primeiro?”. E eu me preocupo com isso. Nesse domingo mesmo andamos de bicicleta e, para não perder o costume, lá vem ele: “Mãe, fica aí, quando disser já, a gente vê quem chega primeiro lá na frente”. Ai, ai, ai… Às vezes eu topo a competição e às vezes até ganho, para ele entender que nem sempre se consegue chegar primeiro. Mas alguns psicólogos defendem que o ideal é nem estimular isso. “O importante é chegar, filho”, é isso que devemos dizer.

Depois da conversa, minha amiga ficou mais aliviada. Eu acho que talvez eu tivesse vontade de comprar o brinquedo, se fosse com meu filho, mas mãe e pai não são aqueles que resolvem tudo. Parece contraditório ao que sempre aprendemos, mas a gente precisa entender que as decepções não são uma exclusividade dos adultos. A criança também tem seus momentos de querer um brinquedo e não poder tê-lo, tirar uma nota baixa na escola, perder no jogo, … Enfim, faz parte. E nós, como pais, temos que entender que os filhos precisam passar por essas situações na vida. Entender que estamos fazendo muito mais do que garantir o sorriso pelo brinquedo novo, mas ajudando a torná-los adultos maduros. Tem preço isso?

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