segunda-feira 21 de novembro de 2016

Tirando a chupeta: um, dois, três e já!

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E quando a gente pensa que sabe tudo sobre nossos filhos, eles vêm e nos surpreendem. Foi o que aconteceu com a retirada da chupeta do meu pequeno. Sabe o que é você adiar o que sabe que precisa ser feito por imaginar o quão difícil isso vai ser? Se você é mãe, claro que sabe. A gente vai protelando algumas coisas necessárias por puro cansaço. Mas algumas atitudes são necessárias. E tirar a chupeta é fundamental. Então, vamos lá.

De onde veio minha necessidade de retirar a chupeta do meu filho? Eu sempre soube que bem não faz. Mas, na real, para algumas mães é quase necessário. Cada mãe sabe onde aperta seu sapato e se o cansaço está grande e a criança dorme muito mais rápido com a chupeta, quem vai julgar essa mãe? Eu dei mesmo, sem pena! Mas antes de oferecer a chupeta é sempre bom fazer uma consulta com a pediatra ou, melhor, uma odontopediatra. Conversando com a do meu filho, Jael Henrique de Melo, ela deixou bem claro que existem chupetas que danificam menos a arcada dentária, mas é bem lembrar que deve-se usar somente para dormir. E, de preferência, retirar assim que a criança pegar no sono. Nada de passar o dia com a chupeta na boca!

 

A gente já conversou sobre isso aqui no blog e já indiquei, inclusive, um livrinho que mostra de maneira lúdica como fazer a retirada da chupeta (Pipo: o troca-chupetas). Algumas mães preferem dar a real e simplesmente dizer ao filho que ele já é grande e que acabou a mamata da chupetinha. Outras, mais sutis, fazem um furo para a chupeta “perder a graça”. Mas eu optei pelo lado lúdico mesmo. Apelei pela fantasia.

Na verdade, eu já vinha trabalhando isso há bastante tempo. Sempre conversei com ele, explicando que a chupeta prejudica os dentes. Mostrei fotos na internet de como ficam os dentes das crianças que demoram para retirar a chupeta e deixei tudo bem claro, numa conversa super transparente. Desde sempre, meu filhote só usava para dormir. Era regra geral em casa. Não tinha perigo de passar o dia com chupeta na boca. Acordou? Vai brincar? Tire a chupeta. E ele sempre obedeceu, ou então eu não deixava brincar. Era simples assim. Então a consciência de não poder usá-la já era bastante clara. Outra coisa: há alguns meses eu já não levava a chupeta para a escola, onde ele tira um cochilo todos os dias. Então, eu já sabia que dormia fácil sem chupeta. Era só uma questão de administrar isso em casa.

Certo dia nós demos de presente um dos personagens que ele, atualmente, mais gosta (da Patrulha Canina). Dei um filhote de pelúcia e ele adorou, virou seu amiguinho para todas as horas. Ententendo que o caminho poderia ser esse, aproveitei para dizer que tinha mais um filhote a caminho, mas que para isso ele teria que deixar a chupeta de vez. Ele se animou com a ideia, mas não topou de cara deixar a chupeta. “Tudo bem”, eu falei, “Então ele não virá dormir com você”. Fui trabalhando esse ideia por uma semana até arrumar uma caixinha e propor colocarmos todas as suas chupetas. “Filho, as chupetas vão sumir e cairão nas casas dos bebezinhos que não têm chupeta. Eles estão chorando porque são muito novinhos. E no lugar delas, vai aparecer o outro cachorrinho que você tanto quer”. Na hora! Ele foi buscar todas as chupetas. Todas mesmo: “Mamãe, tem mais uma aqui”. Colocamos tudo e, num momento de distração dele, troquei pelo boneco. Ao abrir a caixinha, ficou encantado com o novo filhote da Patrulha e vibrou. Naquela noite, dormiu abraçado com os dois cachorrinhos.

Demorou bem mais – digo logo. Com a chupeta o sono parece chegar mais rápido, enquanto sem ela, é preciso esperar a criança esgotar e cair de sono. Ele dormiu umas duas horas depois do normal, mas dormiu. Nessas horas, mamãe, você precisa dobrar o carinho, o dengo, a proximidade. De acordo com Jael Melo, a chupeta precisa ser substituída por um outro afago. “Vale fazer uma negociação com a criança. Não vai ter mais chupeta, mas tem esse bonequinho aqui para dormir juntinho”, conta. O cachorrinho serviu para isso. E, além disso, passei a ser muito mais paciente e carinhosa com meu pequeno na horinha de dormir.

 

Resultado: hoje tem quase vinte dias que ele dorme sem chupeta e nem cogita pedir para dormir. Aliás, teve uma única noite em que chorou. E chorou muito! Foi a terceira noite. Pediu a chupeta e eu expliquei “Filho, a gente não deu suas chupetas para os bebezinhos? O cachorrinho não veio ficar com você? Não tem mais chupeta, amor”. E ele chorou sem parar até cair no sono. Acordou mais duas vezes de madrugada, chorando, pedindo chupeta. Aí, mamãe, nessas horas precisamos ser firmes! Meu coração ficou na mão e eu quase choro junto, mas se eu desse a chupeta, automaticamente ele entenderia que basta chorar que eu dou a chupeta. Não podemos. Então, anote aí, quando decidir tirar, não tem volta, é “um, dois, três e já!”. Abracei meu filho a noite toda, levantei, fiz um leitinho, dei muito dengo e coloquei os cachorrinhos de pelúcia junto dele. Acabou dormindo e não se lembrou mais no dia seguinte.

Pronto, só isso. Nunca mais pediu chupeta e agiu com uma maturidade que eu sequer esperava. Por isso comecei esse texto dizendo que nossos filhos podem nos surpreender e às vezes as coisas são mais fáceis que esperamos. Pensei que a retirada da chupeta significaria pelo menos uma semana de “perrengue”. E eu estava super preparada para isso. Mas talvez toda a conversa anterior de conscientização e também o fato de só permitir a chupeta na hora de dormir tenham ajudado.

Mas cada criança é uma criança, viu? E nem sempre depende de nossas estratégias. Mas que a conversa antes, a conscientização e a troca de afago ajudam, ajudam mesmo! Se seu filho já está beirando os três aninhos, ou se a dentista ou pediatra disse que já há risco de prejuízo nessa boquinha, não pense duas vezes. Comece os trabalhos e livre-se de vez da chupeta. Mas sem voltar atrás, viu? Ele vai sentir, mas lembre-se que é totalmente e exclusivamente para o bem dele próprio. Boa sorte!

6 Comentários

  • Elaine Marques

    Isso mesmo!!!! Como dentista e mãe sempre tive a preocupação com a chupeta da minha filha. Quando ela completou três anos eu dei um basta na situação.
    Convidei minha filha para ir a loja de brinquedos e escolher uma boneca. Ela escolheu uma maior que ela e que parecia outra menina. Fomos para casa e lá conversamos. Disse que a moça da loja recebia como pagamento por aquela boneca a chupeta. Ela aceitou pagar a boneca com a chupeta. No dia seguinte fomos à loja “comprar” a boneca. Minha filha levava a chupeta no bolso e a apertava muito. Achei que não fosse dar certo. Mas, quando a moça veio com a boneca, sem que eu falasse nada, minha filha tirou a chupeta do bolso e entregou à moça. Fiquei engasgada, mas procegui. Naquela noite foi um pouquinho difícil para pegar no sono, mas minha filha dormiu abraçada à nova amiguinha e sem a chupeta.

    • Sarah Eleutério

      Que declaração linda, Elaine! A gente, como mãe, fica pra morrer, né? Mas como a gente sabe que é para o bem deles, o coração aguenta! Parabéns pela sua atitude! Que bom que deu certo!! Bjo!

  • Katarina Pitombeira

    Massa o post, Sarah. Eles são mais maduros que a gente imagina. Também morria de medo da retirada da chupeta, mas foi bem tranquilo lá em casa. Temos um bocado a aprender com eles.

  • Ana Paula

    Olá conheci seu site hoje através do jornal meia hora.Gostei muito da sua dica.Mais o meu problema com minha filha Anna Carolina que está prestes a fazer 3 aninhos agora em dezembro,são os dois dedinhos que ela chupa.Na verdade ela só chupa os dedos quando esta com sono ou depois de um chororo.Mais o problema que ela já esta com calos nos dois dedos e que tbm anda reclamando

    • Sarah Eleutério

      Flor, o ideal é você procurar uma odontopediatra, ou conversar com a pediatra dela. É bom um acompanhamento individual das crianças quando o assunto é dentinho. Mas tente pelo menos tirar o dedo da boca quando ela dorme.

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