quarta-feira 04 de novembro de 2015

Qual a melhor escola para meu filho?

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Está chegando a hora de matricular os filhos na escola e para os pais de primeira viagem vem aquela dúvida: qual a melhor? Quem tem a proposta pedagógica mais adequada? A gente quer oferecer o que há de melhor para nossos pequenos e fica a maior pulga atrás da orelha, num fica não? Isso porque a gente sabe que é uma decisão importante e que vai influenciar diretamente no desenvolvimento de nossos pequenos.

Bem, o que os pais sempre levaram em conta na hora de optar pela escola onde o filho vai estudar é a questão financeira e a proximidade de casa ou do trabalho. Mas agora, com a variedade dos métodos de ensino que tem por aí, surge um novo agravante na escolha: a proposta pedagógica. Pois é, há 30 anos atrás isso não era tão relevante, porque o método era praticamente o mesmo. Mas as coisas mudaram. As crianças não são as mesmas de trinta anos atrás e as escolas também não. E aí, como saber qual o melhor caminho para o desenvolvimento de nosso filho?

Para você entender, vamos logo falar de quais as propostas que se aplicam hoje nas escolas de educação infantil no Brasil. O que muitos pais escutam por aí, quando começam a conhecer as abordagens das instituições, é que existe o ensino tradicional e as variações como o Construtivista e o Montessoriano. Mas o assunto vai além. Podemos citar ainda a pedagogia Waldorf e a Freiriana.

Para começo de conversa, o ensino tradicional, como o próprio nome já sugere, é o mais comum em nosso país. Ele prioriza o ensinamento dos conteúdos, centralizando na figura do professor. Periodicamente é feita uma avaliação e quem não passar, reprova e precisa repetir o ano. No método Construtivista, idealizado por Jean Piaget – esse cara foi o nome mais influente no campo da educação durante a segunda metade do século 1920 -, o conhecimento é visto como algo que deve ser construído pela criança. Cada aluno é tido com um ser único e entende-se que cada um tem seu tempo de aprendizagem. Já na escola Montessoriana, a criança participa ativamente do processo de aprendizagem e cabe ao professor auxiliá-la mas ele não é a figura central, trabalha-se muito em grupos.

A escola que parte para a pedagogia Waldoft traz a preocupação com a formação humanista do aluno e com o seu desenvolvimento cognitivo, emocional e espiritual. A divisão das salas de aula é por idade, e não por série, e o professor permanece com a mesma turma até a sua formação. E outro método pouco comum mas também utilizado no Brasil é o Freiriano, baseado no pensamento do intelectual Paulo Freire. Busca a formação crítica dos alunos e o desenvolvimento de sua consciência social.
Entendeu tudo? Aí você responde “Sim, mas continuo não fazendo ideia de qual é a melhor proposta para meu filho”. Então saiba que todas elas têm seu lado positivo. A escolha vai depender, na verdade, de seus objetivos práticos para a vida de seu pequeno, atendendo à filosofia, valores e expectativas da família. É bom se aprofundar melhor, ir nas escolas, conversar com os coordenadores pedagogos, entender qual a real proposta e de que maneira isso é trabalhado em sala de aula.

O melhor mesmo seria se a escola colocasse tudo num liquidificador e oferecesse um pouco de cada coisa, não é? Pois saiba já existem muitas assim, atuando com a rigidez do ensino tradicional, mas trabalhando as habilidades cognitivas e relacionais do aluno, através da escuta emocional, entendendo os sentimentos e ensinando a raciocinar, respeitando seu tempo de aprendizado e lidando com a individualidade de cada criança.  E é o que, inclusive, muitos especialistas em educação defendem: que a instituição de ensino possa trabalhar o que há de melhor em casa linha pedagógica e não seguindo necessariamente uma única visão.

De acordo com Flávia Carvalho, coordenadora pedagógica de uma escola no Recife que trabalha o método Montessoriano, algumas instituições de ensino passaram a misturar essas linhas. E isso porque, sim, cada método tem seu lado positivo. “Piaget acredita que a criança não vem como uma ‘tábua rasa’, sem conhecimento algum. Ela vem com um conhecimento prévio, que traz de vida, e isso é positivo. As escolas sociointeracionistas trabalham com vários métodos e preparam a criança de forma a estar dentro do contexto de sala de aula, mas utilizando materiais montessorianos, por exemplo. E ainda abraçando outras metodologias, como o construtivismo”, explica Flávia. Vamos abrir um parêntese para dizer que as escolas sociointeracionistas, que ela cita, vêm das teorias do teórico russo Vygotsky, que defendia que é pela aprendizagem nas relações com os outros que construímos os conhecimentos que permitem nosso desenvolvimento mental.

Mas Flávia toca num outro ponto importante: as escolas têm foco nessas abordagens pedagógicas somente até o Ensino Fundamental I. Depois disso, o foco está no Enem e nos vestibulares do país. A preocupação está no conteúdo, para garantir ao aluno seu ingresso no ensino superior. Mas nem por isso a escolha que vocês fez sobre a melhor escola para o seu filho vai deixar de ter relevância. Até porque, segundo a pedagoga, “com uma base bem feita dentro de uma metodologia onde se constrói o conhecimento com segurança do que está sendo construído você tem um fundamental II tirando de letra”.

Bem, agora que você já sabe que não é mais somente o preço da escola e a logística de levar o filho que conta, faça sua pesquisa, visite os colégios e pense no que é melhor para sua família. Sim, e lembre-se que não adianta nada você querer que seu filho siga determinada educação se a família não segue, ou seja, querer que o filho seja independente demais enquanto os pais são muito conservadores. É preciso que a família pense igual. E independentemente dos métodos abordados, o mais importante, mamãe, é que se formem pessoas honestas, respeitosas, competentes e confiantes na sua capacidade de enfrentar os desafios da vida.

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