segunda-feira 23 de novembro de 2015

Como não chorar na despedida?

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Deixar o filho chorando na escola e ter que ir embora não é uma tarefa fácil para mãe nenhuma. A gente sai com o coração apertadinho – quando não sai chorando também feito criança! Passei por isso recentemente, mas descobri a receita. E é “receita de bolo” mesmo, viu? Infalível! E acabei descobrindo também várias outras coisas que a gente faz de errado nessas horas e nem imagina!

Se você passa por isso ou ainda pode passar, presta atenção nessa frase e não esquece: a despedida na escola precisa ser mais rápida e seca. Parece algo insensível, né? De mãe que não está nem aí para os sentimentos do filho. Mas não é não. E a psicopedagoga Lídia Loreto, diretora da escola Baby Mel, no Recife, explica:  “Despedidas dramáticas, duradouras e carregadas de emoção são um prato cheio para dificultar a entrada da criança na escola. Saiba que, independentemente do comportamento da criança os pais devem procurar dar um tom leve e até mesmo prático às despedidas”. Apesar disso, Lídia sabe que o quanto é difícil para algumas mães: “É duro, a gente sabe. Mas é fundamental para que a criança perceba que não existe opção de um choro para segurar pai ou mãe na escola por mais tempo”.

Talvez se torne mais fácil se você entender isso, mamãe: “O ingresso na escola e as primeiras separações da mãe ou de casa fazem parte do crescimento da criança. Os pais devem ter em mente que certas conquistas vêm acompanhadas de dificuldades. Representam também amadurecimento da criança, e a escola é um excelente ambiente para isso acontecer”, conta Lídia, lembrando que há uma tendência natural de os pais quererem superproteger seu filho, evitando ao máximo que ele sofra, mas o equilíbrio na vida de uma criança é um fator essencial para que ela se torne um adulto saudável e feliz.

Há pouco tempo, precisei mudar o horário de deixar meu filho na escola. Agora estamos saindo muito cedo, no momento em que ele ainda está naquela preguicinha, sem querer sair de casa. Antes ia para a escola numa boa e agora não quer mais nem vestir a farda. Resultado: chega lá, se agarra no meu pescoço e não quer ficar – ou, na melhor das hipóteses, não quer que eu vá embora. Foi uma semana saindo de lá e vendo meu pequeno chorar. Cheguei a ir embora chorando também, mesmo cedendo às suas vontades e ficando uns minutinhos a mais. Era aquele lenga-lenga: ele chorava, dizia que queria ficar comigo e eu ficava um pouquinho, entrava na cozinha da escola, pegava um biscoito junto com as tias, brincava com ele mais um pouco… Mas, não tem jeito, eu tinha que sair. E ele sempre ficava chorando. Aos prantos.

Sabiamente, a professora dele me procurou, quando eu fui busca-lo à noite e me disse que as despedidas precisavam ser mais breves. A secretária da escola havia me dito o mesmo. Quando mais a gente fica, mais a criança entende que, se insistir, chorar mais, funciona, a mãe fica mais um pouco. Quando ela percebe que não vai ter acordo, que a mãe o deixa, dá um bejinho e vai embora, a tendência é que ela se acostume com isso e perceba que não tem alternativa, que não vai adiantar chorar.

Segurei a onda e fiz isso no dia seguinte. Deixei meu filho, ele se agarrou em mim, eu tirei os bracinhos, dei um beijo bem gostoso e disse: “Mamãe tem que ir, meu amor. Mais tarde venho te buscar”. Ele chorou, mas felizmente as tias lá são bem habilidosas. Pegaram meu filhote no colo e começaram a distrai-lo com outras coisas, sem fazer drama! Nesse meio tempo, eu fui embora. Ainda escutei que ficou chorando. No caminho, liguei para a escola e soube que havia parado de chorar logo depois que eu saí. Nos dias seguintes, fiz o mesmo, mas depois de me despedir, fiquei do lado de fora esperando e percebi que ele parava de chorar logo em seguida. Isso acalmou meu coração.

Mas tem outras observações superimportantes que você não pode ignorar na hora de deixar o filho na escola. Lídia diz que devemos evitar frases como: “Você não vai chorar não, não é?” ou “Se comporte, já estou indo…”. “Esses tipos de frases são bem sugestivas para o choro e a resistência acontecer! Saibam que o choro não quer dizer que a criança não esteja gostando da escola. É uma maneira dela dizer que é difícil se despedir da mãe e ou do pai. A prova disso é que quando os pais saem a criança para de chorar e de resistir. São frustrações altamente sadias e positivas que devem acontecer”, diz. Ah, e nada de sair escondido, viu? Você não precisa enganar seu filho, até porque ele vai te procurar depois e vai perder a confiança em você. Mais que isso, pode se tornar uma criança insegura, achando que você pode sumir a qualquer momento. Tem que segurar a onda mesmo, mamãe. Dar o beijinho – sem dramas!! – falar que precisa ir embora e deixar que o amadurecimento dele tome conta do resto.

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