sexta-feira 23 de outubro de 2015

Escola: um ano de cada vez

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Desde cedo, instituições de ensino lidam com o desenvolvimento e aprendizagem, levantando aspectos culturas, neurológicos e psicológicos

 

Ainda nem chegou o fim do ano, mas “escola” já é o assunto para muitos pais. Daí você começa a pesquisar preço das melhores instituições de ensino por aí e cai pra trás com os valores. Por que tão caro? E, o pior: pagar uma nota para uma criança de dois, três anos “brincar” na escola. Bem, pra começo de conversa, não é bem assim. A escola na educação infantil tem mais importância do que você pensa.

Há algum tempo, eu entendi que meu filho não “brincava” na escolinha. Não é uma questão de sentar no chão, desenhar, pintar o corpo, mexer com tinta e se jogar na areia do parquinho. Tudo isso, na verdade, tem um propósito e as escolas – as boas escolas – sabem muito bem o que representa cada atividade. E, mais que isso, a importância que cada uma tem no aprendizado da criança. Quer uma exemplo simples? Você sabia que quando seu filho está brincando no parquinho da escola, enchendo o balde de areia, está aprendendo relações de cheio/vazio, muito/pouco? Pois é.

“O ser humano desenvolve em seus primeiros anos de vida, os sistemas simbólicos e expressivos que estarão na sua base de aprendizagens. A direção que tomará seu desenvolvimento é função do meio em que ele nasce, das práticas culturais, das instituições de que participa e das possibilidades de acesso a informações existentes em seu contexto”, explica a psicopedagoga Lídia Loreto, diretora da escola Baby Mel na Zona Norte do Recife.

É isso que a escola faz com os bebezinhos desde o berçário: promove os estímulos necessários para seu desenvolvimento. “Muita pessoas não sabem que as atividades praticadas desde cedo, como, por exemplo, um simples desenho, podem estar relacionadas ao estímulo à motricidade fina, o que vai fortalecer a musculatura dos punhos para que a criança desenvolva a escrita mais tarde”, diz Lídia. E eu diria que quase nenhum pai ou mãe sabe disso. Eu mesma não sabia. Pois cada série na escola se dá como uma preparação para a próxima. A informação vale para os pais que têm aquela ideia de querer avançar o filho para que ele fique numa turma acima. Eles não sabem que em cada ano são trabalhados aspectos fundamentais para o próximo.

Lídia nos conta ainda que a experiência anterior à experiência escolar é relevante para o desenvolvimento do ser humano, independentemente da sua idade, ou seja, os estímulos que os pais fazem em casa com os filhos podem contribuir – e muito – para tudo o que eles vão precisar quando entrarem na escola. Mais uma vez, é por isso que eu defendo tanto o hotelzinho (volto a enfatizar: um bom hotelzinho!). “Quando acontece de uma criança entrar tarde na escola ou de frequentar uma turma em defasagem com a sua idade, este fato terá implicações importantes para seu desenvolvimento nas ações pedagógicas, pois os processos essenciais de um determinado período de formação estarão superados em um outro período ou estarão modificados pela dinâmica entre a maturação orgânica e a vivencia socioafetiva. Por exemplo: uma criança de dois anos trabalha informações de maneira distinta de uma criança de três anos, uma vez que a transmissão interna de informações no cérebro é mais complexa na criança de três anos do que na de dois anos, devido à maturação de determinadas áreas do cérebro”.

Deu para entender porque é tão importante respeitarmos o ano letivo das crianças? “Ah, mas meu filho já é tão espertinho… Acho que ele devia entrar numa turma mais avançada”, você diz. Mas não é uma questão de ser esperto, mamãe. Parabéns a você pelos estímulos que deu a esse pequeno, mas deixa a escola avaliar se ele realmente pode pular a série. Até porque pode estar simplesmente pulando etapas importantes para seu desenvolvimento. Sentar no chão, desenhar, pintar o corpo, mexer com tinta e se jogar na areia do parquinho, nada disso é por acaso.

3 Comentários

  • Valdir

    Parabéns pelo texto! Sou pai de Gabriela, amiguinha de Eduardo na Baby Mel 🙂

  • PATRÍCIA

    Parabéns pelo texto. Meus dois filhos incitaram na escola desde cedo, o primeiro ao 4 meses e o segundo aos 6 meses. Acho importante o contato com outras crianças e o estímulo adequado para cada faixa etária.

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