terça-feira 15 de setembro de 2015

Mastigação como um processo de aprendizagem

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Qual é a mãe que não fica feliz quando o filho come tudiiiiiiiiiiiinho e não deixa nada no prato? A alimentação é uma das maiores preocupações em relação às crianças, mas não é só uma questão de estar de barriga cheia, por mais saudáveis que sejam os alimentos. Você é daquelas mães que trituram a comidinha? Ou ainda daquelas que deixam tudo bem amassadinho para o filho sequer ter o trabalho de mastigar? Pois saiba que a prática de se alimentar (e mastigar) vai muito além da sobrevivência física e da nutrição, trazendo benefícios que você nem imagina!

Em uma palestra sobre o assunto, promovida pela escola Baby Mel, no Parnamirim, Zona Norte do Recife, a fonoaudióloga e psicomotricista Sonia Loreto de Miranda falou da necessidade de bem se alimentar e mastigar para o desenvolvimento da fala da criança. Pasmem! Uma coisa tem tudo a ver com outra, sim!

Sônia lembrou que, quando a criança ainda é muito novinha, ela se alimenta sugando, envolvendo todos os órgãos motores da boca: lábios, bochechas, palatos e língua. “Nesse processo, Já se inicia a exercitação dos músculos responsáveis à produção de vocalizações e da futura fala”, explica, revelando que o desenvolvimento da alimentação determina a prática motora dos órgãos de articulação dos sons da língua materna (os fonemas), favorecendo o adequado funcionamento e crescimento estrutural desses órgãos. Ou seja, quando o bebê mastiga direitinho, está fortalecendo os músculos que vão ajudá-lo a falar bem quando crescer.

“A articulação dos sons da fala e a mastigação são desenvolvidas após o nascimento, enquanto sucção e deglutição são funções reflexas, adquiridas desde a vida intrauterina. Portanto, a mastigação é determinante para o desenvolvimento das estruturas maxilares, o equilíbrio das funções musculares, propiciando os movimentos coordenados, favoráveis à adequada deglutição e à aquisição da fala”, revela a fonoaudióloga. Você imaginava uma coisa dessa? Então, nada de dar só papinhas e alimentos pastosos. Deixa esse menino mastigar!

E para ajudar a quem está com um bebezinho em casa e não sabe quando deve começar a modificar a forma de alimentá-lo, Sônia preparou para a gente as etapas de desenvolvimento que devem ser seguidas e assim favorecer as aprendizagens necessárias:

– Do nascimento até aos 3 meses, a criança é sobretudo amamentada ao peito ou com a mamadeira. A alimentação ocorre de forma reflexa.

– Entre os 3 e os 5 meses, o bebê é capaz de comer uma nova textura de alimentos (purê), ocorrendo a transição para a colher.

– No período dos 5 aos 6 meses, começam a surgir os movimentos da língua para cima e para baixo.

–  Dos 6 aos 8 meses, o bebê aprende a abrir a boca e a manter essa abertura à medida que a colher se aproxima. Nas tarefas de mastigação, os movimentos mandibulares são menos rítmicos, e a língua amassa o alimento no palato duro e começa a lateralização da língua na boca. esta faixa etária, o lábio superior é utilizado para retirar o alimento da colher e a bebida pelo copo pode ser introduzida.

– Na fase dos 8 aos 12 meses tanto o lábio superior como inferior estão ativos na retirada de alimento da colher, por sua vez na mastigação começam a surgir movimentos circulares com a mandíbula realizando movimentos rotatórios. Neste estádio constata-se o início da auto alimentação, através das mãos, colher ou copo de plástico.

–  No decorrer dos 12 até aos 18 meses, a criança é capaz de trincar alimentos moles, mas poderá perder a estabilidade mandibular ao trincar alimentos duros. Por último, entre os 18 e os 24 meses, já se verifica a capacidra ade de trincar alimentos duros, bem como, o encerramento labial durante a mastigação.

–  Aos 2 anos de idade, a criança come de forma independente todo o tipo de comida (líquidos, pastosos e sólidos). Nesta idade, o tipo de comida pode variar pelos gostos pessoais da criança e não pelas suas competências de alimentação.

A palestra, que aconteceu na escola, foi voltada para os pais, para que eles tomem essa consciência e saibam qual a melhor maneira de conduzir a alimentação do filho. Mas saber que a escola do seu filho já sabe de tudo isso e toma as providências enquanto a criança está por lá já é um alívio! Ainda mais quando o seu filhote é um bebê e está em desenvolvimento. Verifique se na escolinha do seu filho os alimentos são manipulados de forma que possa propiciar essa mastigação, mãe. Isso é importante, sim. Posso dar um testemunho? O meu entrou com cinco meses de idade, mastiga tudo e hoje, aos dois anos, fala pelos cotovelos!

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