terça-feira 26 de maio de 2015

Quem está te julgando?

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Imagina a cena: a mãe na fila do supermercado, tirando os produtos do carrinho e colocando na esteira do caixa e o filho pequeno – 3, 4 anos de idade – dando o maior show porque quer levar um biscoito, mesmo tendo escutado dez vezes a mãe explicando que não podia levar o produto, que ele já comeu muito biscoito na semana passada, etc e tal. Mais ainda? o danado do menino se joga no chão e faz a maior cena. A mãe fica com vergonha e puxa o braço dele, já sem paciência, cravando os dentes: “levante-se agora!”. O garoto, pequenininho, fica vermelho de tanto chorar e espernear, as lágrimas saltam longe de seus olhos e a mãe tem certeza de que todo o supermercado está com pena dele e, obviamente, julgando sua frieza ou, no mínimo, pensando: “Que menino malcriado!”

Imaginou? Já aconteceu com você? E qual a sua maior preocupação: tentar usar a melhor estratégia para fazer seu filho entender e aceitar as condições ou querer sumir dali de vergonha? Você acha mesmo que as pessoas estão julgando suas atitudes? Estão pensando: “Essa mãe não tem pulso firme, por isso o menino é assim” ou “Ela não sabe educar o filho” ou “Coitado do menino, a mãe devia ser mais paciente”…

Sim, as pessoas podem estar pensando mil coisas a respeito da educação que você dá a seu filho, mas não seja você a primeira a julgar a sim própria, mamãe. As pessoas que estão assistindo àquela cena, não assistiram as que mostram você acordada por várias madrugadas amamentando seu pequeno e até chorando de tanta dor e cansaço. Essas pessoas não acompanharam todas as suas tentativas de conversar com a criança para explicar o que é certo e o que é errado. Elas não sabem o momento difícil que você pode estar passando naquele momento, não fazem ideia de quanta coisa você abriu mão para oferecer o melhor para seu filho. E não sabem quanto tempo você está sem dormir bem uma noite. Aliás, quem é mãe sabe, pode apostar. Não pense que todos que estão ali em volta estão julgando sua atitude. Quem é mãe entende que não é fácil e certamente o olhar dela não é de “Essa mãe não sabe educar”, mas, de repente está pensando “Vixe! O meu é igualzinho!”.

No caso do supermercado, quer uma dica? Peça a seu filho para ajudá-la. Peça para ele ir colocando as compras no carrinho, deixe ele participar. Com o meu funciona, mas eu sou mãe e também sei que isso não é uma receita, que cada criança é uma criança é que… não é fácil mesmo.

Então, não julgue a si própria. Não procure um buraco para se esconder com vergonha das pessoas que estão assistindo a seu filho espernear na fila do supermercado. O meu também costuma fazer cena de vez em quando. Eu tento conversar. Se não deu certo, brigo com voz baixinha, mas firme (lembre-se que é importante não constranger a criança na frente dos outros, não precisa gritar para todo mundo ouvir). E ameaço: “Se continuar assim não vai assistir ao desenho no carro!!”. Funciona.

Mas é dureza. Educar não é fácil. Tenha paciência com a criança, mas tenha com você também. Alguém está te olhando como quem diz “Essa aí não sabe educar o filho”? Pois a gente sabe, mamãe. A gente sabe que mais do que nos olhos do seu filho, há lágrimas nos seus também. Que você não tem uma noite bem dormida há meses. Que você não lembra qual a última vez que fez uma refeição tranquila ou que conseguiu descansar no meio da tarde.

Ser mãe não é fácil mesmo, mas – tenha certeza – fica ainda mais difícil se você coloca na lista das suas preocupações o que as pessoas estão achando da maneira como você lida com as birras da sua criança. Não seja você mesma a primeira a sabotar sua paz. Você já tem problemas demais para concordar com quem está lhe apontando o dedo sem saber o que é, de fato, ser mãe.

2 Comentários

  • Augusto Gomes

    Adorei esse artigo. Tirou algumas dúvidas que eu tinha. Esse blog é demais! Parabéns!

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