quarta-feira 24 de dezembro de 2014

Papai Noel precisa existir?

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Deixar ou não deixar seu filho acreditar no bom velhinho do Natal? Para muitos que vivenciaram a espera pelo Papai Noel na infância, levar a mesma tradição ao filho é uma questão de honra. Para outros, alimentar uma mentira não vale a pena. E aí?

Vale a pena sim! Na verdade, não precisamos tratar o assunto como uma “mentira”. Acreditar numa figura boa e generosa que só faz o bem para as pessoas não tem nada de errado, pelo contrário. Pode ser muito bom para a criança. Psicólogos explicam que embarcar na fantasia e apresentar o Natal e seus símbolos aos pequenos faz parte e é aconselhável!

“Papai Noel existe em um contexto muito interessante. De muita festa, comida, presentes, família reunida e férias. E ele ainda chega em um trenó vindo sabe-se lá de onde. Ou seja, um prato cheio para a imaginação”, é o que conta a psicóloga Fernanda Nogueira de Farias, do CPPL (Clínica, Ensino e Consultoria em Gestão). E ela vai além: “Trata-se de um tempo na infância onde se comunicar imaginariamente com alguém que lhe escuta e realiza seus desejos parece ser mágico, e quando os pais embarcam na fantasia, essa magia se presentifica com a realização do desejo aos pés da cama”.

Pois é, saiba que é muito importante os pais apresentarem o Natal e o Papai Noel, viajando junto na fantasia, visitando shoppings para tirar foto com ele. A psicóloga diz que crescer e descobrir as peripécias que o pai e a mãe tiveram que fazer para sustentar essa fantasia também alimenta esse mito através de gerações que se permite em determinada época do ano abrir mão da concretude da realidade e viajar como crianças.

Evite dizer a seu filhote que o Papai Noel é uma bobagem e não passa de um artifício comercial para que as pessoas comprem mais. “Cada criança tem seu ritmo, mas com 7 ou 8 anos ela começa a duvidar, passa a ter uma visão mais abstrata e até conceitual da vida e os mitos, histórias e fantasias vão tomando outra dimensão, porém não significa que não continuará tendo muita importância, pois as convicções também são recheadas pelas fantasias que permitiram a concepção da realidade”, avalia Fernanda Farias.

E nem derrube a fantasia do seu pequeno dizendo que ele já está muito grande para isso. “Se ele ainda precisa recorrer a essas fantasias é porque ainda fazem sentido e o encontro com a realidade vai ser um sinal de maturidade que os pais também devem saber acolher, mas não destituindo o antes e sim valorizando o depois”, afirma a psicóloga.

Mas se o filho perguntar, assim, na lata: “Mãe, Papai Noel existe mesmo?”, o que devemos fazer? Mentir? Não necessariamente. Você pode retornar a pergunta com outra: “O que você acha, filho?”, e deixar sua imaginação contar o que ele sabe sobre o bom velhinho. Se ele responder “Acho que ele existe, sim”, pergunte “Por que?” e concorde “Então deve existir mesmo”. Você não precisa mentir para seu filho. Ele não precisa um dia descobrir toda a verdade e lembrar que você mentiu. Embarque na aventura, sem negar ou afirmar. E quando ele realmente descobrir que era tudo fantasia, não sustente a história. Chegou a hora, mamãe. Seu pequeno cresceu!

 

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