quinta-feira 19 de junho de 2014

Desmame para bebês maiores

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Depois que falei aqui sobre as dificuldades das mães que param de amamentar, muitas me escreveram pedindo para falar sobre como fazer o desmame de crianças com mais de um ano de idade. Bem, a primeira pergunta que a mamãe precisa fazer a ela mesma é “Por que desmamar?”.

Não há necessidade de deixar de amamentar seu bebê antes dos dois anos, mas – na real – a gente sabe que ser mãe não é fácil e que cada uma tem seus motivos para não conseguir mais ser tão exclusiva para seu filhote. A volta ao trabalho, o corre-corre, as atividades da casa, a falta de ajuda do companheiro, a exaustão. São inúmeros os motivos que fazem as mães não aguentarem o rojão de mais uma importante tarefa: a de simplesmente ser mãe.

Independente de seus motivos, é bom lembrar que a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a amamentação até pelo menos os dois anos de idade. É bom para seu bebê. Para a saúde dele. Mas se você realmente precisa fazer isso, vamos às dicas de como fazer.

De acordo com a autora Elizabeth Pantley, em seu livro “Gentle Baby care”, cada filho precisa de uma decisão separada sobre o desmame. Antes de mais nada, procure fazer isso devagar. Não deixe de dar de mamar de uma hora para outra. Seu bebê pode se sentir rejeitado. O processo precisa ser gradual (num período de alguns meses). E deixe ele pedir, não ofereça.

Outra dica é distrair o bebê na hora que ele quiser mamar. Se ele mama quando acorda, tente mostrar um brinquedo novo ou abra a janela e mostre o que há lá fora. No início ele pode ficar confuso, mas vai se acostumando. Se você fizer isso sempre, é provável que ele comece a pedir para abrir a janela quando acordar. Vai querer ver o mundo lá fora.

A autora dá outra sugestão: atrasar ao máximo o momento da mamada. Vai dizendo algo como “depois que eu dobrar as roupas, você mama”. E depois arrume outro motivo. Ele acaba se distraindo. Também é válido substituir o leite materno por comidas sólidas. Se seu bebê já come outras coisas (liberado pelo pediatra), você pode oferecer outras formas de conforto e atenção como ler livros, abraços, brincar juntos.

E evite os locais preferidos de mamar. Aquela cadeira de balanço ou o cantinho do sofá, tudo o que lembre o lugarzinho onde ele mama, evite esses locais, para não despertar em seu filho o desejo de mamar. E, quando estiver amamentando, vá encurtando o tempo. Cada vez deixe seu filho mamar menos.

Sim, e também é importante nunca iniciar o processo em momentos conturbados para o bebê, como, por exemplo, a volta da mãe ao trabalho, os primeiros dias na escolinha, a separação dos pais ou doença. Isso vai deixar seu filho ainda mais vulnerável.

Mas – vou dizer de novo – avalie porque você precisa desmamar, mamãe. Avalie se é mesmo imprescindível para você. As dicas que aqui estou dando é porque só a gente sabe o quanto tudo já é difícil para nós mães. E é nisso que falamos aqui sempre. Apesar de exaltar as delícias da maternidade e o amor incondicional pelo filhote, eu defendo a “mãe na real”, aquela que sabe que não dá para ser perfeita, mas dá para fazer tudo dentro das condições de cada uma. Se você pode continuar amamentando seu bebê, mamãe, continue. Faz bem para ele, tanto o leite materno quanto o afago em seu peito. Mas se outros fatores lhe obrigam a parar, não queira ser a mãe perfeita. Pare de se culpar e faça com tranquilidade, lembrando que você não é a única mãe que está fazendo isso. Com certeza você busca o melhor para seu filho. E uma mãe em paz, tranquila e feliz é tudo o que ele precisa.

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