segunda-feira 23 de junho de 2014

A primeira mordida!

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– O que foi isso vermelhinho na bochecha dele? Levou alguma pancada?

Perguntei assim que peguei meu filho no hotelzinho e percebi um machucado leve em seu rosto. 

– Ele foi mordido pela amiguinha!, disse a babá.

Logo atrás de mim, subia as escadas a mãe da menina autora da mordida e, ouvindo a conversa, morreu de pena. Ela também estava indo buscar sua filha e, na mesma hora, tentou recriminá-la:

– “Oh, filha, você mordeu Eduardinho! Não pode fazer isso!!”.

– Não se preocupe! Essas coisas acontecem. Não brigue com a bichinha agora porque ela sequer vai saber porque está levando o carão”, eu disse.

Realmente, a gente pode – e deve – recriminar o filho que fez algo de errado, mas com os bebês isso só vale se for na mesma hora. Saber que a criança fez uma malcriação, quebrando um vaso e você brigar com ela somente quando chegar em casa não adianta. Seu filho não vai associar isso ao vaso quebrado. E não vai entender porque sua mãe, que acabou de chegar em casa, ao invés de dar um beijinho, vem com quatro pedras na mão.

Agora vamos ao outro lado da questão: o filho mordido. Sim, a primeira mordida a gente nunca esquece. E, sim, você fica com o coração pequenininho… Mas o que dizer senão “faz parte”. A mordida foi leve, sim. Ele deve ter sentido na hora, mas depois não sentia mais nada.

Pode acontecer com seu filho. Tanto morder quanto sair mordido. É muito comum isso ocorrer nas escolas de educação infantil, principalmente nas turmas de maternal, com crianças de aproximadamente dois anos de idade. E não necessariamente o amiguinho do seu filho o mordeu porque não gosta dele. Nessa idade, as crianças estão ainda na fase oral, do desenvolvimento da personalidade. O primeiro contato com o mundo acontece através da boca, pelo peito da mamãe. Essa relação de prazer acaba sendo levada a todos os objetos. É a maneira que a criança tem de descobrir o mundo. De acordo com especialistas, a fase oral é dividida em duas etapas: a de sucção e a de mordida. Nesta última, há uma tendência a destruir, triturar o objeto antes de incorporá-lo. 

Mas as mortidas nos amiginhos podem acontecer, sim, antes dos dois anos, quando a criança tem contato com outras. Na verdade. desde o nascimento até essa idade, a criança vive o que Sigmund Freud chamou de “oralidade”, fase que faz parte do desenvolvimento psicossexual do indivíduo. É através da mordida no amiguinho que ela descobre novas sensações de prazer, como em ver o susto, a reação, o choro do outro. Não é interessante? Pois é, a criança está descobrindo as coisas, mamãe. Não ache que é simplesmente maldade. Use também a psicologia para recriminá-la, e não um grito.

E as mordidinhas podem acontecer por diversas razões, quando, por exemplo, em situação de disputa por brinquedos ou quando entra uma nova criança no grupo, causando ciúmes e insegurança. Os pais podem ter culpa? Podem sim. Um erro comum é a brincadeira de ficar mordendo a criança. Sim, tem bebê que é tão gostoso, tão gostoso, que a gente fica brincando de morder (sem machucar, lógico!). Por mais saudável que a brincadeira possa parecer, a criança entende que pode brincar assim com outras crianças. E aí, como elas não sabem dosar a intensidade da mordida, acabam ferindo o amiguinho. 

Mas não é fácil para ninguém. Quando acontece um episódio desse, os pais da “vítima” ficam tristes e até se culpando por deixarem a criança na escola sujeita a isso. Os pais do bebê “agressor” ficam envergonhados e constrangidos. Aí entra a escola, que precisa estabelecer limites aos alunos, dizendo a eles que devem respeitar os amiguinhos, tratando-os com carinho e mostrando que eles ficam tristes quando são machucados. É difícil fazer isso quando são muito novinhos? É, sim. A criança ainda não entende totalmente, mas é para isso que estão na escola, para aprender. E a atitude dos professores é fundamental nesse processo. Afinal, muitas vezes a mordida significa a expressão do sentimento da crinça. Os pais não dão atenção? Nhac! Não vai devolver meu brinquedo? Nhac! Essa criança está se expressando, precisa de atenção.

E a crinça mordida, como fica? “Filho, preste atenção: é olho por olho, dente por dente! Vá lá e morda também!”, é isso que você vai dizer? Nããããããããão. Isso é o que certamente o pai da criança vai querer dizer. Coisas de “pai”! Mas não ensine isso a seu pequeno. De acordo com a Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee), em situações como esta, o ideal é mesmo procurar a coordenação da escola, entender o que houve e pedir para ficarem atentos para isso não voltar a acontecer. Você deve acolher seu filho e incentivar a expressar seu descontentamento, sim, mas nunca ensinando-o a morder também. 

 

E quando ele é um bebezinho – assim como meu pequeno – e ainda não entende muito do que a gente diz? Ah, aí você enche essa bochecha de beijinhos e diz que vai tudo ficar bem! Faz parte mesmo, mamãe. Na vida, às vezes a gente morde é às vezes é mordido. Só cuide para seu filho não ser sempre o mordido ou sempre o mordedor. E peça, sim, interferência na escolinha. No mais, muito beijinho na bochecha mordida!

 

2 Comentários

  • Oi vc me ajudou muito sabia, hoje meu filho de 11 meses mordeu pela primeira vez na creche que fica, e mesmo eu sendo professora de creche não sabia como me comportar com meu filho, como dizer a ele que isso foi errado…principalmente quando eu não estava presente<br /><br />Obrigada!!!<br /><br />Ah eu estava falando sobre o mesmo assunto quando encontrei seu artigo!<br /><br />http://

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