sexta-feira 20 de dezembro de 2013

A interferência na criação

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Você leu tudo sobre como criar um filho, fez cursos e pegou as melhores dicas com suas amigas. Ou então não fez nada disso, mas quer educar do seu jeito, da maneira como acha que deve ser. Aí vem uma tia, uma avó, uma sogra ou qualquer criatura que acha que suas técnicas estão erradas e faz tudo diferente. Ou, pior, acha que, por ser parente, tem o direito de educar seu filho como quer. E aí? Como lidar com isso?

É difícil, sim, porque você não quer declarar guerra à família, mas também não quer que seu filho fique confuso com as mudanças de estratégias. Sim, ele fica. Toda criança precisa de rotina e que tudo seja feito sempre da mesma maneira. É isso que vai deixá-la segura. E, consequentemente, é o que vai ajudá-la a dormir melhor, chorar menos e ser uma pessoa tranquila.

Mas quando se tem um filho, todo mundo parece querer dar pitaco. Por mais que você esteja fazendo tudo certinho, vai sempre ter alguém para criticar alguma coisa. Bem, antes de vir com uma resposta na ponta da língua, tente ouvir a crítica. Psicólogos e pedagogos aconselham, neste momento, tentar filtrar a informação. Alguma coisa de útil pode, sim, existir naquela crítica. Por mais que nós, mães, saibamos o que estamos fazendo, não é de todo mal ouvir uma outra opinião e avaliar se a pessoa não tem mesmo razão sobre o que está dizendo.

Mas tem horas que é demais. Tem mãe que sofre com essas interferências. Conheço pessoas que estão tendo dificuldades na criação de seus filhos. Quando você sabe que seu filho precisa de uma rotina mas o pai da criança insiste em deixá-la uns dias na casa da mãe dele, “porque a vovó está morreeeeeendo de saudade”, e a vovó é daquelas que se acham mais experientes e “sabem” o que é melhor para seu netinho, aí a coisa complica. Converse com esse pai. Explique a seu marido que sabe o quanto a vovó sente falta do neto, mas as coisas precisam ser feitas do jeito que vocês dois planejaram. As regras da casa não devem ser quebradas porque estão na casa da tia ou da avó ou de quem quer que seja. Se é apenas uma visita, tudo bem. Mas se o passeio na casa da avó é frequente, você terá que impor as suas regras, sim.

Apoio. É o que você precisa de seu marido. Se você, que está lendo esse texto, é o pai da criança em questão, entenda que sua esposa precisa de um aliado, e não de alguém que fique contra suas teorias porque “a vovó tem saudade do neto”. Está certo, não precisamos ser radicais. Às vezes se foge às regras quando o bebê está fora de casa. Mas isso precisa ser bem “às vezes” mesmo. 

Parece bobagem. Parece sim. Quem é pai quer criar o filho sem “besteiras”, quer que ele possa tomar picolé na casa da avó mesmo quando a mãe diz que não pode. Mas saiba que esse tipo de cuidado com seu filho não é bobo. Quando se pode tudo na casa da avó, a casa da criança parece chata, os pais parecem chatos, e tudo é melhor na casa da avó. Por mais que você ame seus pais e queira ver o sorriso em seus olhos quando o netinho está lá, o que não pode, não pode. Se você não quer que seu filho experimente refrigerantes antes dos cinco anos de idade, por exemplo, não está certo os avós oferecerem a bebida, está?

Tudo bem, sem exagerar mesmo. Mas a rotina é importante e regras são regras. Eu tive sorte de não ter ninguém inconveniente na família e também tenho sorte de ter um marido que concorda com meus conceitos e está sempre ao meu lado. Mas se não é o seu caso, vá com calma. Quando acontecer de alguém tomar uma atitude com seu filho que você desaprova, fale com cuidado para não causar um mal estar. Explique que você precisa da ajuda daquela pessoa para colaborar com atitudes que você estabeleceu para cuidar de seu filho. Mas não se justifique demais. Você não deve satisfação sobre como cuida do seu filho. Não abra espaço para isso, é o que aconselham especialistas no assunto. E se seu marido disser “Coitada de mamãe! Ela só quer ajudar”, concorde com ele e diga que sabe o quanto ela quer ajudar, mas que você precisa do apoio dele por um bem maior: o feliz resultado que você espera na criação de seu filho.

É difícil, sim. Mas vai com jeitinho e boa sorte! E você, papai: as coisas já estão difíceis demais para a mãe que passa madrugadas acordada, passa por fortes sacrifícios e se preparou tanto para dar ao filho de vocês a melhor criação possível. Tudo o que ela precisa agora é de seu apoio. Tenha menos pena da família, que já está criada e não vai morrer porque o netinho não vai passar as férias na casa da vovó, e mais pena de seu filho, que, afinal de contas, precisa dessa harmonia.

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