quinta-feira 24 de outubro de 2013

O dilema da chupeta

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No tempo de nossos pais, era assim: o bebê chorou? Mete uma chupeta. A chupeta era item certo no enxoval e todo mundo usou. Hoje, vai inventar de dizer aos amigos que vai dar chupeta ao seu filho! Sim, as mães têm até receio de postar nas redes sociais foto do bebê com chupeta porque agora nem é mais politicamente correto falar nesse objeto. É mentira? Bem, sem radicalismos, em parte faz sentido, já que se sabem dos males para a formação da dentição da criança. Mas, e na prática? Na real? Quando o bebê chora e a gente não sabe mais o que fazer, dar chupeta ou não?

Enquanto seu filho é um bebezinho, a chupeta não representa uma ameaça no crescimento dos dentinhos. O problema é quando não se consegue retirá-la e a criança cresce. Sabe aquilo de passar o dia com a chupeta na boca? Pode não. É isso que não tem necessidade. Vá procurar outro afago para seu filho. Interaja, brinque, dê outro objeto que ele goste.

Mas, não precisa morrer de peso na consciência porque está dando uma chupetinha a seu filho para ele dormir. Na verdade, a danada da chupeta pode ser um mal necessário. De acordo com a odontopediatra Jael Henrique de Melo, o ato da sucção é algo involuntário, já que o bebezinho já costuma sugar mesmo dentro da barriga da mamãe. E algumas crianças têm uma necessidade maior de sucção. “É a chamada sucção não nutricional. Ela é emocional, afetiva. Há bebês que têm costume de colocar as mãozinhas na boca, assim como o lábio inferior e objetos. Quando ele repete sempre o mesmo dedinho na boca, existe aí uma tendência (atenção, ela diz ‘tendência’) de ele vir a chupar o dedo. Para esses casos, por exemplo, é recomendado o uso da chupeta”. A defesa da odontopediatra é simples: é mais fácil depois tirar a chupeta da criança do que o dedo.

E tem mais: a chupeta pode ter indicações clínicas. Sabia disso? Pois é, segundo especialistas, aos bebês chamados pré-termo (com menos de 37 semanas), aos hipotônicos e/ou àqueles que têm dificuldade para sugar o seio da mãe, pode dar a chupeta. Mas presta atenção se ela é ortodôntica. E não faça isso por conta própria. Mesmo lendo isso aqui no blog, procure o monitoramento de um profissional habilitado para treino de motricidade oral.

O negócio é que, além de servir como objeto para sucção, as mães e pais descobriram que a chupeta proporciona prazer na criança. E, com isso, ela relaxa e adormece. E aí os pais podem dormir também. Então, quando ela chora, chora, chora, a chupeta resolve. Ou seja, “a chupeta é um santo remédio para a falta de paciência dos pais”. Prepare-se, é isso que você vai escutar se disser por aí que está dando chupeta ao filho.

Então, vamos supor que seu bebê não se enquadra nas recomendações médicas, mas você precisa da chupeta para conseguir fazê-lo dormir. E aí, pode? Bem, o perigo nesse caso é a criança fazer confusão de bicos e acabar rejeitando o peito da mãe. Tem que ser moderado. Se a criança está grandinha, se já passou de um aninho, saiba que ela não precisa de chupeta. Quem precisa é você, porque quer que ela durma. Mas aí você já a acostumou assim. O fato é que isso pode trazer alterações da arcada dentária e, com isso, dificuldades na fala. Se o bebê chupa dedo, pior ainda, porque os problemas são os mesmos e fica mais difícil de desacostumar a criança.

Pronto. Agora você já sabe que a chupeta é mesmo prejudicial, principalmente quando o bebê vai crescendo. E também já sabe que ela é necessária em alguns casos. E que, na real, muitas mães acabam dando a chupeta para o bebê dormir, porque já tentaram de tudo e ele não para de chorar. Se for o seu caso, ao menos troque-a pela ortodôntica, lembre-se de tirar da boca da criança quando ela adormecer e vá desacostumando-a até retirá-la por completo antes de um ano de idade. E, principalmente, faça tudo conscientemente, sabendo dos males e benefícios, mas – na boa – não precisa postar as fotos nas redes sociais. Poucas pessoas estão na sua situação para entender os seus motivos.

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