quarta-feira 11 de setembro de 2013

Os testes e as vacinas

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Quando sair da maternidade, você certamente será orientada pelo pediatra sobre os testes e as vacinas necessárias para seu filho. Mas vale a dica: agende logo! Isso porque alguns testes precisam ser feitos ainda no primeiro mês de vida do bebê e – veja que contraditório – em muitas clínicas só há vagas para daqui a uns dois meses. Você tem que explicar a situação, pedir com jeitinho e tentar até um encaixe. Então não demore para marcar esses exames. São importantes. Aliás, você sabe qual a importância de cada um deles?
Vamos lá.

Primeiramente, as vacinas. Logo que nasce, o bebê precisa tomar as vacinas contra BCG e hepatite B. A primeira é aplicada no braço e é normal se depois aparecer um pus. Não incomoda o bebê, pode deixar e não precisa passar nenhum creme. Se houver uma lesão maior, avise ao pediatra. A de hepatite B é dada no músculo da perna. Alguns laboratórios as oferecem ainda na maternidade, mas elas são pagas (nos postos de saúde são gratuitas). A vantagem de fazer ainda no hospital é que você evita o transtorno de ter que sair com seu filho muito novinho e levá-lo a um posto de saúde. Quanto mais cedo ele tomar essas vacinas, melhor, para sua proteção. Elas garantem a imunidade da criança e não devem ser esquecidas. Todos os anos, três milhões de vidas são salvas por conta das vacinas. No final deste texto, segue a lista das demais vacinas ao longo de um ano.

 

Além dessas picadinhas, os testes necessários ainda no primeiro mês de seu filhote são o do Pezinho, o da Orelhinha e o do Olhinho. Há ainda o da Linguinha, mas que não é realizado em hospital público ainda.

O Conselho Regional de Fonoaudiologia 4ª Região quer intensificar a divulgação da importância da realização do Teste da Linguinha em todos os recém-nascidos, no intuito de ampliar o acesso de bebês ao diagnóstico precoce da chamada “língua presa”. As alterações na região abaixo da língua, conhecida como frênulo lingual curto, podem comprometer os ciclos da vida, iniciando pela alteração na maneira como o bebê engole, suga e mastiga.

 

O Teste do Pezinho é aquele que dói mais em você do que na criança. Ele detecta doenças metabólicas, genéticas e infecciosas, que podem ser prejudiciais ao desenvolvimento neuropsicomotor do bebê. O teste é feito com um furinho no calcanhar do bebê e – com a licença poética – no coração da mãe. A criança abre um berreiro e os enfermeiros muitas vezes precisam ficar apertando a panturrilha do bebê para tirar os pinguinhos de sangue necessários. É preciso ser feito depois de uns três dias de vida, porque antes disso pode haver influência do metabolismo da mãe, diminuindo a precisão do teste. Mas recomenda-se não passar de sete dias.

O Teste do Pezinho é obrigatório por lei em todo o Brasil e ele pode evitar doenças graves, incluindo deficiência mental. O resultado demora uns dois meses, mas não esqueça se pegá-lo e levar ao pediatra. Pode acontecer de o médico pedir para repetir o exame. Não se preocupe, é normal.

 

O teste de Orelhinha virou lei em 2010. É obrigatório e gratuito e chamado de Emissões Otoacústicas Evocadas. Com esse exame, é possível detectar a deficiência auditiva, o que é comum nos recém-nascidos. De cada mil nascidos, um a três apresentam surdez. Quando a deficiência auditiva é detectada precocemente, os tratamentos podem ser mais eficazes. Neste exame a mamãe pode ficar tranquila porque não há dor. É feito com o bebê dormindo ou mamando (ele precisa estar quietinho) e coloca-se um fone na orelha do bebê acoplado a um computador que emite sons, recolhendo-se as respostas que a cóclea do bebê produz.

 

 

 

O Teste do Olhinho, também chamado de teste do reflexo vermelho, deve ser feito na primeira semana de vida e é importante porque pode evitar doenças como retinopatia da prematuridade, catarata congênita, glaucoma, retinoblastoma, infecções, traumas de parto e até cegueira. Este teste também não dói. O médico coloca uma fonte de luz com um aparelho chamado oftalmoscópio e observa o reflexo que vem das pupilas. Os olhos saudáveis refletem tons de vermelho, laranja ou amarelo. Caso haja alguma alteração, o bebê certamente será encaminhado a um oftalmologista para exames mais específicos.

 

Sabe-se que pelo menos 60% dos casos de cegueira poderiam ser evitados se diagnosticados precocemente. Segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, existem cerca de 710 casos de cegueira por ano. Então, fica a dica para os pais: observem as fotografias de seus filhos. Se ao invés de um reflexo vermelho nos olhos aparecer uma mancha branca, procure o oftalmologista. Além disso tudo, acompanhamento ao pediatra todos os meses.

 

Calendário de vacinas

 

2 meses

 

Públicas: Pentavalente brasileira (DTP + Hib + hepatite B) / pólio inativada / Rotavírus monovalente / Pneumocócica conjugada 10-valente

O que o esquema particular tem de diferente: Existe a versão acelular da DTP (DTaP), que dá menos reação, e que inclui a pólio, eliminando uma picada. Há uma vacina para o rotavírus protege contra cinco tipos do vírus, em vez de um só, mas se se aplica a rotavírus pentavalente serão necessárias três doses, em vez de duas. E existe uma pneumocócica que protege contra 13 tipos da bactéria, em vez de 10.

 

Pentavalente brasileira (DTP + Hib + hepatite B): Primeira dose. Contra difteria, tétano, coqueluche, infecções provocadas pela bactéria Haemophilus influenzae tipo b (como meningite, pneumonia e outras) e segunda dose contra a hepatite B. É gratuita em postos de saúde.

Modo de aplicação: Picada no músculo lateral da coxa (intramuscular).

 

Pólio inativada: Primeira dose. Previne a poliomielite, ou paralisia infantil. A vacina dada gratuitamente nos postos de saúde substituiu a versão oral (VOP, ou Sabin), a da gotinha. Nos laboratórios particulares, pode ser encontrada junto com a pentavalente, formando a hexavalente, que economiza uma picada na criança.

Modo de aplicação: Picada no músculo da lateral da coxa.

 

Rotavírus: Primeira dose. Evita infecções pelo rotavírus, que causa vômito e diarreia. A vacina monovalente é dada de graça nos postos de saúde. Na rede particular, também existe uma versão que protege contra mais tipos de vírus, também oral, mas o esquema completo será de três doses, em vez de duas.

Modo de aplicação: gotinhas.

 

Pneumocócica conjugada: Primeira dose. Evita alguns tipos de pneumonia e outras doenças causadas pela bactéria pneumococo. Passou a fazer parte do Programa Nacional de Imunizações em 2010, portanto é gratuita. A da rede pública é contra 10 tipos da bactéria. Na rede particular existe uma versão que evita 13 tipos da bactéria (13-valente).

Modo de aplicação: picada no músculo lateral da coxa (intramuscular).

 

 

3 meses

 

Pública: Meningococo C conjugada

O que o esquema particular tem de diferente: Nada.

 

Meningococo C conjugada: Primeira dose. Protege contra a meningite e outras doenças disseminadas pela bactéria meningococo C. Desde 2010 é aplicada gratuitamente nos postos de saúde.

Modo de aplicação: Picada no músculo da lateral da coxa (intramuscular).

 

4 meses

 

Públicas: Pentavalente brasileira (DTP + Hib + hepatite B) / Pólio inativada / Rotavírus oral / Pneumocócica conjugada 10-valente

O que o esquema particular tem de diferente: Opção de usar a versão acelular da DPT (DTaP), que causa menos reação, e já inclui a pólio inativada na mesma picada. Essa versão de pentavalente (DTaP, Hib, pólio inativada-IPV) é diferente da pentavalente brasileira, usada nos postos de saúde, que não contém a vacina contra pólio, e sim uma dose extra de vacina contra hepatite B. Novamente, existe uma vacina contra rotavírus que inclui 5 tipos do vírus, em vez de um só, e há uma opção da pneumocócica contra 13 tipos da bactéria, em vez de dez.

 

Observação: Segunda dose das vacinas aplicadas aos 2 meses. Se o bebê teve reação ou ficou incomodado quando recebeu estas vacinas aos 2 meses, não necessariamente o problema se repetirá, mas é possível que aconteça. Siga as orientações do pediatra.

 

Pentavalente (DTP + Hib + hepatite B): Segunda dose. Contra difteria, tétano, coqueluche, infecções provocadas pela bactéria Haemophilus influenzae tipo b e contra a hepatite B. É gratuita em postos de saúde.

Modo de aplicação: Picada no músculo lateral da coxa (intramuscular).

 

Pólio inativada: Segunda dose. Previne a poliomielite (paralisia infantil). Substituiu a da gotinha, que era a Sabin. Na rede particular, pode ser dada junto com a DPaT + Hib, o que economiza uma picada na criança.

Modo de aplicação: Aplicada no músculo da lateral da coxa (intramuscular).

 

Rotavírus: Segunda dose. Evita infecções pelo rotavírus que causa vômito e diarreia. É dada de graça nos postos de saúde (esquema total de duas doses, aos 2 e 4 meses). Na rede particular, existe uma versão que protege contra mais tipos de vírus, mas o esquema completo será de três doses (aos 2, 4 e 6 meses). É preciso repetir a mesma versão de vacina entre a primeira e a segunda dose.

Modo de aplicação gotinha.

 

Pneumocócica: Segunda dose. Previne alguns tipos de pneumonia e infecções causadas pela bactéria pneumococo. Passou a fazer parte do Programa Nacional de Imunizações em 2010. A da rede pública protege contra 10 tipos de bactéria. Na rede particular existe uma versão que protege contra até 13 tipos. Como existe mais de um tipo, é preciso dar o mesmo tipo da primeira dose (atenção se tiver dado a primeira dose na rede privada e quiser passar para a particular, ou vice-versa).

Modo de aplicação picada no músculo lateral da coxa (intramuscular).

5 meses

 

Pública: Meningococo C conjugada

O que o esquema particular tem de diferente: Nada.

 

Meningococo C conjugada: Segunda dose. Protege contra a meningite e outras doenças, como a infecção no sangue. Desde 2010 é aplicada gratuitamente nos postos de saúde dentro do Programa Nacional de Imunizações. Também disponível na rede particular.

Modo de aplicação: Picada no músculo lateral da coxa.

6 meses

 

Públicas: Pentavalente brasileira (DTP + Hib + hepatite B) / Pólio oral (VOP) / Pneumocócica conjugada 10-valente/ Gripe (no outono)

O que o esquema particular tem de diferente: Opção particular: A versão acelular da DPT (DPaT) dá menos reação. Também existe uma versão que junta a pentavalente semelhante à dada pelo governo com a pólio inativada, formando a hexavalente, mas a própria Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a forma oral da vacina contra a pólio a partir dos 6 meses. As vacinas contra rotavírus e a pneumocócica têm versões mais completas.

 

Observação: Terceira dose das vacinas aplicadas aos 2 e 4 meses, mais a terceira dose da hepatite B. Se, com alguma dose anterior, o bebê teve reação ou ficou incomodado, não necessariamente isso acontecerá de novo, mas pode ocorrer. Siga as orientações do pediatra.

 

DTP + Hib + hepatite B: Terceira dose. Contra difteria, tétano, coqueluche, infecções provocadas pela bactéria Haemophilus influenzae tipo b e hepatite B (quarta dose). É gratuita em postos de saúde. Os especialistas da Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam, no entanto, quando possível, a versão acelular (DPaT), por ter menos risco de efeitos colaterais. Essa versão está disponível na rede particular. Não é obrigatório usar o mesmo tipo de formulação das doses anteriores.

Modo de aplicação: Picada no músculo lateral da coxa (intramuscular).

 

Pólio: Terceira dose. Previne a poliomielite (paralisia infantil). A vacina dada gratuitamente nos postos de saúde é a oral (VOP, ou Sabin), a da gotinha. A Sociedade Brasileira de Pediatria também recomenda a vacina oral (gotinha) aos 6 meses, desde que as duas primeiras doses tenham sido tomadas na versão da pólio inativada (VIP), que já é a padrão no sistema público também. Mas, a critério médico, pode ser dada a pólio inativada, na rede pública, junto com a DTaP + Hib + hepatite B, formando a hexavalente.

Modo de aplicação: A vacina oral (Sabin ou VOP) é em forma de gotinhas. Já a inativada (também chamada de Salk ou VIP) é aplicada junto com a hexavalente, no músculo da lateral da coxa (intramuscular).

 

Rotavírus: Terceira dose, prevista apenas no esquema de vacinação da rede particular (pentavalente, com esquema completo de três doses, aos 2, 4 e 6 meses). É obrigatória se criança tomou as duas primeiras doses da pentavalente.

Modo de aplicação: gotinhas.

 

Pneumocócica: Terceira dose. Previne alguns tipos de pneumonia e outras infecções causadas pela bactéria pneumococo. Passou a fazer parte do Programa Nacional de Imunizações em 2010. Como existe mais de um tipo, é preciso dar o mesmo tipo da primeira e da segunda doses (atenção se tiver dado as doses anteriores na rede privada e quiser passar para a particular, ou vice-versa).

Modo de aplicação: picada no músculo lateral da coxa (intramuscular).

 

Gripe: A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a aplicação da vacina contra a gripe (influenza) todos os anos para crianças de 6 meses a 5 anos. A cada ano o Ministério da Saúde oferece a vacina gratuitamente para determinada faixa etária (atualmente de 6 meses a 2 anos). A vacina da gripe deve ser aplicada de preferência durante o outono. Na primeira vez que a criança toma a vacina da gripe, são necessárias duas doses, com intervalo de um mês. É preciso reaplicar a vacina todo ano, porque todo ano o vírus muda.

9 meses

 

Pública: Febre amarela

O que o esquema particular tem de diferente: Nada.

 

Febre amarela: Dose única da vacina contra o vírus da febre amarela para crianças residentes em áreas consideradas de risco, ou que se dirijam a elas. Estados em que se recomenda a vacinação: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Distrito Federal, Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Maranhão, partes dos Estados de São Paulo, Bahia, Paraná, Piauí, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Informe-se com o pediatra ou na unidade básica de saúde. Dada gratuitamente nos postos de saúde. Também disponível na rede particular.

Modo de aplicação: Picada subcutânea (com agulha curtinha) normalmente no braço, mas pode ser no bumbum ou na lateral da coxa.

1 ano

 

Públicas: Pneumocócica / Tríplice viral (Obs.: No Estado de São Paulo, estão previstas com 1 ano a tríplice viral e a meningocócica C, em vez da pneumocócica. É apenas uma troca de ordem.)

O que o esquema particular tem de diferente: Tem uma dose a mais da vacina contra catapora, sendo a primeira com 1 ano e a segunda com 1 ano e 3 meses. No esquema gratuito, a vacina contra catapora é dada apenas com 1 ano e 3 meses. O esquema particular também inclui a vacina contra hepatite A, e já recomenda a vacinação contra meningocócica e a pneumocócica (disponível em versão mais completa), enquanto pelo programa público o reforço da meningocócica é feito em geral com 1 ano e 3 meses.

 

Tríplice viral (SRC, ou MMR): Primeira dose. Protege contra rubéola, sarampo e caxumba. Faz parte do calendário do Ministério da Saúde, portanto é aplicada gratuitamente nas unidades básicas de saúde. Também disponível na rede particular.

Modo de aplicação: Picada subcutânea (agulha curtinha) preferencialmente no braço.

 

Catapora (Varicela): Primeira dose de duas. Pode ser dada em uma picada isolada, no mesmo dia que a tríplice viral, ou na mesma picada, na quádrupla viral. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, observou-se que na versão com duas picadas separadas houve menos ocorrência de febre como efeito colateral. No Programa de Nacional de Imunizações é dada dentro da quádrupla viral, com aplicação única com 1 ano e 3 meses.

Modo de aplicação: Picada subcutânea (com agulha curtinha) normalmente no braço.

 

Hepatite A: Primeira dose de duas. Não faz parte do calendário do governo, portanto está disponível apenas em clínicas particulares. É recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria. O esquema sugerido é com 1 ano, mas o início pode ser adiado por alguns meses para dividir o número de aplicações. A segunda dose é dada seis meses depois da primeira.

Modo de aplicação: Picada no músculo da lateral da coxa (intramuscular).

 

Meningococo C conjugada: Dose de reforço. No calendário do governo, o reforço gratuito está previsto para 1 ano e 3 meses. Para a Sociedade Brasileira de Pediatria, o reforço pode ser dado em qualquer momento entre 1 ano e 1 ano e 6 meses, e no Estado de São Paulo ela é aplicada nos postos de saúde com 1 ano. Protege contra a meningite e outras doenças disseminadas pela bactéria meningococo C.

Modo de aplicação: Picada no músculo da lateral da coxa (intramuscular).

 

Pneumocócica conjugada: Dose de reforço, segundo o calendário do Programa Nacional de Imunizações. Pode ser aplicada a qualquer momento entre 1 ano e 1 ano e 11 meses, mas a versão gratuita é dada com 1 ano. Em São Paulo, os postos de saúde a aplicam com 1 ano e 3 meses. Não há problema se houver diferença entre o tipo de vacina das primeiras doses e do reforço (10-valente ou 13-valente).

Modo de aplicação: picada no músculo lateral da perna, ou às vezes no bumbum.

Fonte: Baby Center

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